Região – Defrec entrega inquérito com denúncias de desvios de verbas da Urcamp

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    Na tarde de ontem, o titular da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), Cristiano Ritta, entregou para o poder Judiciário o inquérito que apura um desvio de recursos da Universidade da Região da Campanha em 2008.

    Conforme Ritta, a universidade abriu uma sindicância naquele ano, onde apontou que alguns débitos teriam sido pagos e o dinheiro não estaria nos caixas. "O sistema funcionava através de um escritório de cobrança de um advogado, ele negociava o valor com os alunos e então passava para os pró-reitores (o titular e a substituta). Por exemplo, se o aluno devia R$ 15 mil, ele negociava por R$ 12 mil, chegava à pró-Reitoria com a negociação, era assinado pelo reitor, mas o valor pago à universidade era de apenas R$ 5 mil. O aluno não tinha mais débito, mas a Urcamp perdia, com isso, R$ 7 mil na negociação", explica.

    O delegado destaca que os desvios chegariam, pelos cálculos da Urcamp, a cerca de R$ 4 milhões. "Pelos nossos cálculos chegamos à conclusão que teria sido desviado entre R$ 2,5 a R$ 3 milhões, sendo 50% a 75% do valor de cada crédito desviado", completa.

    Após a sindicância realizada pela universidade, o Ministério Público orientou a abertura de inquérito e enviou alguns demonstrativos de pagamentos dos alunos. "Ficamos um ano dedicados a esses três volumes de documentos, ouvimos várias testemunhas e dois envolvidos, um dos indiciados não compareceu em nenhum momento para relatar o caso", acrescenta Ritta.

    Indiciados

    O delegado indiciou o advogado responsável pelo escritório de cobrança, Marcelo Costa Brasil, pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, falsidade de documentos e lavagem de dinheiro. "Também foram indiciados no processo o ex-pró-reitor João Paulo Lunelli, e a ex-pró-reitora substituta, Sílvia Zilá Mesquita Silveira, por estelionato e falsidade ideológica. Os relatos e a situação de desvio nos levaram a crer que há envolvimento dos ex-funcionários da Urcamp e do advogado do escritório, que fazia a cobrança dos alunos", declara Ritta.

    Após um ano de investigação, o delegado ressaltou que ouviu apenas os ex-funcionários. "Durante os depoimentos, os pró-reitores informaram que não se davam conta do que assinavam e não sabiam que havia desvio. Já o advogado não se apresentou em nenhum momento para prestar depoimento", finalizou o responsável pelo inquérito.

    Em contato com Lunelli, ele explicou não ter conhecimento do inquérito ainda. "Eu prestei depoimento num primeiro momento como testemunha, agora tenho que ver o que está no inquérito", explicou. A procuradoria jurídica da Urcamp também não irá se manifestar, ainda, pois não teve conhecimento do inquérito.

    Os outros dois indiciados, Sílvia Zilá e Brasil, não foram encontrados pela reportagem do Jornal Folha do Sul.

     

    Fonte: Jornal Folha do Sul

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