Dom Pedrito – Catadores ainda aguardam por um local de triagem

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    Encerrada a 21ª Semana do Meio Ambiente de Dom Pedrito, com variada programação em que as comunidades escolares são as mais engajadas à causa, fica a certeza de que muito já se evoluiu no município com relação ao respeito à natureza, ao desenvolvimento sustentável e, no que diz respeito ao aprimoramento de uma consciência ambiental. Neste contexto, têm sido fundamentais entidades como a União Pedritense de Proteção ao Ambiente Natural (Uppan), presidida por Dionil Pereira e o surgimento de um Departamento de Meio Ambiente (Dema), órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde e do Meio Ambiente (SMSMA), que começou a atuar na administração do saudoso prefeito Francisco Alves Dias (Chiquinho), tendo a sua frente, como precursor desta nova época, o engenheiro agrônomo Gérson Ferreira, e atualmente dirigido por Gilberto Macedo, já procedendo licenciamento ambiental e também exercendo a fiscalização que lhe compete.

    Entretanto, a administração municipal ainda deve à comunidade a implantação da coleta seletiva de lixo que, sabe-se em projeto e, por extensão, a organização dos catadores de materiais recicláveis que precisam, desde ontem, de um local onde possam realizar a triagem do material coletado e acondicioná-lo adequadamente, para posterior destinação à venda.

    A propósito, o diretor do Dema argumenta que a prefeitura vem procurando um local apropriado para locação com tal finalidade, já tendo sido encontrados pelo menos três instalações, e que está havendo preconceito por parte de proprietários de tais prédios (via-de-regra, galpões), que ao descobrirem a destinação que teriam seus imóveis, recusam-se a alugá-los.

    Por que o Executivo municipal, ante tal situação de impasse, não destina um de seus próprios, adaptando ou construindo tais instalações para os catadores? –  questionou-se à Gilberto Macedo. Tal alternativa, disse, está em fase de 'estudo', havendo a possibilidade de aproveitamento da área dos antigos galpões da Cesa, que apesar de terem sofrido um incêndio há algum tempo, ainda possuem uma estrutura metálica que poderia, eventualmente, ser aproveitada.

    Que os 'estudos' neste sentido, por mais intrincados que sejam, corram de forma mais célere, até levando-se em consideração que há cerca de pelo menos dois anos os catadores já contam com uma prensa de material reciclado à sua disposição, ainda sem uso, e precisam ter sua atividade laboral efetivamente apoiada pelo poder público, para que de forma organizada trabalhem melhor, protegidos da intempérie, com os devidos recursos facultados e, assim, possam ganhar o pão de cada dia inclusive com maior perspectiva de renda.

    Enquanto não se colocar em prática as tantas ideias que existem para apoiar essa categoria, continuaremos a ver homens e mulheres, inclusive nestes dias invernais que já chegaram, perambulando pelas ruas, amassando latinhas e garrafas PET com os pés e acondicionando-os da melhor forma possível em seus carrinhos, para depois venderem cada carga, individualmente, ao final do dia, a preços bem menores do que os que seriam obtidos se uma cooperativa comercializasse cargas de mais vulto para empresas especializadas até de outros municípios.

    Que na próxima Semana do Meio Ambiente, além das conquistas já obtidas até aqui, que são dignas de louvor, consiga-se comemorar vitórias para os seres humanos menos favorecidos e mais fragilizados nesta história toda, que são justamente os catadores de materiais recicláveis. Afinal, também quando se fala de meio ambiente, as pessoas também devem ser as mais importantes.

    Por: Silvio Bermann
    Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br