Dom Pedrito – As dificuldades impostas no dia a dia de Marina, mãe de um menino autista

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    Neste Dia das Mães a equipe do Portal Qwerty preparou uma reportagem especial com uma mãe que enfrenta muitas dificuldades no dia a dia e que pode ser considerada uma verdadeira guerreira. 

    Marina Cassiano tem 33 anos de idade, é funcionária pública, universitária da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e é mãe de dois filhos. Um deles, Murilo Moreira Cassiano, 11 anos, é autista. O autismo é um transtorno de desenvolvimento que geralmente aparece nos três primeiros anos de vida e compromete as habilidades de comunicação e interação social da pessoa. Marina conta que as maiores dificuldades enfrentadas por ela, são para realizar atividades simples do dia a dia, como: ir ao supermercado, ir a uma festa de aniversário ou passear nos finais de semana. "O autismo te restringe destas coisas cotidianas", explicou a mãe, acrescentando que o autista encontra uma proteção no local onde mora e sair de casa se torna algo muito complicado. Segundo a mãe, outra barreira enfrentada pela família de um autista é o preconceito das pessoas que muitas vezes consideram o portador dessa restrição como um “louco”. 

    Com 2 anos de idade, Murilo apresentava um comportamento diferenciado em relação as outras crianças, pois não olhava mais para sua mãe. O menino abanava para as paredes e se escondia das pessoas. A mãe conta que foi uma situação muito difícil de lidar. “Procuramos primeiramente um neurologista e pela gravidade do caso ele nos encaminhou para um neuropediatra da cidade de Santa Maria, onde o Murilo está em tratamento até hoje”, revelou. Ela disse que o seu filho apresentou uma evolução nestes mais de sete anos que está em tratamento.

    Segundo ela, foi necessária a criação de uma rotina de atividades diárias que o filho realiza, pois conforme Marina explicou, “o autista precisa ter uma rotina, pois se deixar ele deitado, ele permanecerá o dia inteiro da mesma forma. Isso acontece por que ele não sabe o que fazer. Desde o momento que descobri isso, criei uma rotina para ele”. Ela ainda relatou que teve que habituar o filho a sair e voltar para casa, pois logo quando a família começou a sair, Murilo achava que não iria mais voltar para casa.

    Marina revelou que ainda tem a esperança que seu filho possa ter condições de trabalhar, mas antes disso ela espera que as escolas estejam preparadas para receber crianças autistas. “Acredito que no dia que isso acontecer, os autistas estarão aptos a ser inclusos no mercado de trabalho”, disse Marina, declarando que seu desejo é de ver o filho trabalhando em algo que ele goste de fazer. Para a mãe, o que tem ajudado bastante seu filho, são as aulas no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Ela contou que o atendimento das profissionais que lá trabalham é fundamental para a criança, mas afirmou que são necessários mais investimentos no local, para que possa ser proporcionado mais entretenimento às crianças. “As gurias que trabalham lá fazem milagre com o que tem hoje no CAPS. É necessário mais investimento e mais material”, afirmou. 

    Além do CAPS, hoje Murilo estuda na Escola José Tude de Godoy, onde está em fase de readaptação, após ficar vários anos afastado da escola. Marlon, seu irmão de 9 anos, ajuda a cuidar de Murilo. Já a mãe de Marina, é a pessoa que fica com os netos enquanto ela e o seu esposo (Márcio) estão no trabalho. Marina disse que sua mãe é seu braço direito, pois Murilo é muito apegado a ela. 
    Marina finalizou a entrevista dizendo para todas as mães, que aceitem o problema de seus filhos, seja lá qual for, pois mãe que é mãe tem que aceitar o filho do jeito que ele é. “Abram mais seus corações, suas cabeças e se informem sobre o que é o autismo. Se Deus me desse à chance de poder mudar alguma coisa no meu filho, eu não mudaria nada, pois amo ele assim, do jeito que ele é”, finalizou a mãe.
     

    Reportagem: Elliézer Garcez
    Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br