Dom Pedrito – Confira a entrevista com o major da 3ª Companhia de Combate Mecanizada

    2/maio/2015 às 00h00min
     Atualizado sábado, dia 2 de maio de 2015 às 00h00min
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    A Engenharia do Exército atua em diversas frentes por todo país, trabalhando em construções, assistência a populações necessitadas e desenvolvendo a infraestrutura de locais onde o acesso é quase inexistente. Assim, conversamos com o major Luis Gustavo Olnei Rodrigues Melo, comandante da 3ª Companhia de Combate Mecanizada, que falou sobre sua formação, trabalho realizado no exército e outras questões referentes ao Exército Brasileiro como um todo. 

    Carreira 
    Melo tem 38 anos, natural de Pindamonhangaba, São Paulo, chegou ao município em dezembro de 2013, quando assumiu a 3ª Companhia. “Meu pai era Capitão do exército, por isso, sempre tive uma referência muito forte dentro de casa”, ressaltou Melo, sobre sua vocação para seguir carreira militar. 

    Sobre sua carreira, Melo conta que ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPECx) no ano de 1996. Com o término de seu curso, foi encaminhado para a cidade de Lajes (Santa Catarina), onde serviu durante quatro anos. Após o período na cidade catarinense, Melo conta que foi designado para a missão de ajuda humanitária na Nicarágua (país que sofreu com uma violenta guerra civil durante os anos 70), onde permaneceu por um ano. Em seu retorno ao Brasil, foi para Rezende (Rio de Janeiro), onde permaneceu como instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras. Em 2007, Melo conta que ingressou no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, onde também foi instrutor durante quatro anos, até ser designado para vir a Dom Pedrito. “Também fiz um curso na Argentina, onde foram trabalhadas questões táticas, mais práticas”, lembra o major. 

    3ª Companhia
    Questionado sobre a estrutura oferecida pela unidade do município, “temos recebido bastante material, assim como novas viaturas, o que era antigo foi encaminhado para leilão em Pelotas”, explicou Melo. Hoje, a 3ª Companhia conta com uma frota praticamente nova, “recebemos os últimos veículos em novembro do ano passado”. Existe, assim como em outros órgãos públicos, todo um trâmite legal para que o equipamento chegue até a Companhia, “eles são testados primeiro, para ver se é adequado e cabível”.

    As verbas que chegam à unidade do município, já vêem destinadas mediante alguma requisição, portanto, são destinadas a itens específicos, “o dinheiro não circula diretamente na Companhia”, ressalta Melo. 

    Dom Pedrito
    Sobre o município, o major relata que não teve nenhuma dificuldade de adaptação. “Vim de uma localidade periférica de Pindamonhangaba, chamado Moreira Cézar, também era um local pequeno”, explica. O único diferencial é que seu local de origem “é mais a beira da industrialização, por ser em São Paulo, então há uma diferença econômica”, complementou. 

    O único problema que Melo constatou no município é conquanto os serviços de saúde, “Dom Pedrito é deficitária neste aspecto”, ressaltou. Quando um militar tem algum problema mais sério, ele, assim como a população, precisa ser encaminhado para outra cidade em busca de um especialista. 

    Ministério da Defesa
    No início do ano, a indicação do ex-governador da Bahia, Jacques Wagner para a pasta do Ministério da Defesa deixou insatisfeito muitos dentro do Exército, como o general Augusto Heleno, além de clubes militares no Brasil. A alegação é de que o ministro seria apoiador de ideologias políticas que não condizem com a conduta histórica do Exército Brasileiro. 

    Melo explica que dentro do exército, permanece a meritocracia. “Com relação ao ministro, tenho conhecimento que este é um cargo político, antes havia um ministro dentro de cada força (Marinha, Aeronáutica e Exército), porém, alinhados com o seguimento que chefiavam”. Cada força que compõe o exército tem uma função específica e desenvolve suas atividades em torno de um objetivo, portanto, o cargo de ministro da Defesa é visto como algo político. “Os ministros anteriores, em relação à unidade local nunca intervieram diretamente, sempre conseguindo os recursos necessários para executar nossas funções”, enfatizou. 

    Mudança nos padrões
    O Exército Brasileiro, desde seus primórdios, adotou padrões físicos e psicológicos na hora de recrutar novos soldados. Alguns dos mais conhecidos são em relação à estatura do candidato, ou se possuí alguma patologia que possa ser transmitida via contato físico. Conforme sentença proferida pelo Tribunal Regional de Brasília na semana passada, o Exército não poderá mais vetar o recrutamento de aspirantes de baixa estatura, desdentados ou portadores de HIV ou outras doenças sexualmente transmissíveis, por considerar que se trata de uma forma de discriminação.

    Melo explica que a seleção é baseada em pré-requisitos. “Aqui (na 3ª Companhia), selecionamos 111 recrutas por ano, o Exército, desde o início de sua formação funciona desta maneira, então, foi-se vendo a necessidade de equalizar os recursos humanos, baseado em parâmetros”, explicou Melo. 

    Se alguma mudança concreta for feita na hora da seleção, a notícia deverá vir através de alguma portaria. “É uma questão de saber se a pessoa vai conseguir cumprir as atividades propostas pela companhia, sem comprometer sua integridade física”, concluiu. 

    Atuação na Nicarágua
    No final da década de 1970, o país, localizado na América Central passou por um conflito entre forças revolucionárias, que buscavam tomar o país. Neste episódio, muitos fugiram para Honduras, país vizinho. Nesse conflito local, várias minas terrestres foram colocadas na fronteira entre países. 

    Após a resolução do conflito e da estabilidade política da Nicarágua, em 1994 iniciou-se uma missão, liderada pelo Exército Brasileiro, de retirada dessas minas. Melo participou da missão durante um ano. “Tive oportunidade de ajudar a população local e de conhecer vários lugares da América Central”, relata. 

    Administração na unidade
    Quando Melo chegou ao comando da 3ª Companhia, promoveu várias mudanças administrativas, realocando militares em funções distintas das quais estes ocupavam. “Quando cheguei, mudei de forma a ver se havia um determinado rendimento do militar em outras funções”, apontou. “As transferências que ocorrem todos os anos também atrapalham, e outros militares chegam, assim, precisamos avaliar os recursos humanos e realocamos de forma que se tire o melhor das habilidades do militar”, concluiu. 

    Reportagem: Elliézer Garcez e Gabriel Bueno
    Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br