Dom Pedrito – Professora alfabetiza senhoras na garagem de uma residência do São Gregório

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    A vontade de aprender fala mais alto para  catorze senhoras de idades entre 50 e 77 anos. Elas têm aulas de alfabetização todas as segundas-feiras na garagem de uma residência situada na Rua Santos Dumont, proximidades da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). As aulas ocorrem na casa de uma das alunas.

    A alfabetizadora Cantidiana Farias Lemos, se desloca da Cohab para o São Gregório todas as segundas-feiras para dar aulas para as senhoras que desejam aprender a ler e escrever, em um trabalho totalmente voluntário por parte da professora, que mostrou o desejo de continuar ministrando as aulas para as senhoras.

    A professora também da aula no Programa Brasil Alfabetizado (Bralf). O mesmo está prestes a iniciar, e como a professora Cantidiana faz parte deste programa, que é em nível federal, ela não sabe se ficará dando aula para as senhoras do São Gregório, pois a alfabetizadora pode ser designada para outro bairro em virtude do programa. Vale ressaltar que neste programa a decisão do local das alfabetizadoras, parte do Sistema Brasil Alfabetizado, que analisa onde elas residem e as designa para as aulas, diferente do que Cantidiana vem fazendo em seu trabalho voluntário que nada tem haver com o programa do governo federal. 

    Nossa reportagem entrevistou uma das coordenadoras do Bralf em Dom Pedrito para obter mais informações sobre o programa e sobre a situação da professora Cantidiana. A professora Gislaine Rodrigues explicou que o sistema escolhe onde as professores darão aulas pelo bairro em que elas moram. Como Cantidiana reside na Cohab, ela teria que dar aulas naquela localidade. "A decisão está com a Cantidiana. Quando os professores forem chamados, ela vai ter que escolher onde quer dar aula, pois ela pode dar aulas apenas para um determinado local", explicou Gislaine. 

    A professora Cantidiana criou um vínculo muito grande com as senhoras devido ao trabalho voluntário que vem desempenhando e que elas deixaram de ser alunas, para se tornarem grandes amigas. "Queremos que a Cantidiana siga sendo nossa professora, pois nos relacionamos muito bem e graças a ela estamos aprendendo bastante", afirmou uma das alunas, que está no auge dos seus 77 anos de idade. 

    Para finalizar, acompanhamos uma parte da aula e vimos a alegria das alunas a cada novo ensinamento dado pela professora neste trabalho voluntário, que como foi dito no início da matéria nada tem haver com o programa Bralf. Mesmo com as dificuldades impostas pelo local das aulas ser totalmente improvisado e pelos quadros serem pequenos e já muito velhos, constatamos que a vontade de aprender supera todas estas dificuldades e tiramos a lição mais importante: nunca é tarde para aprender.

    Reportagem: Elliézer Garcez e Marcelo Brum
    Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br


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